O Dia Mundial da Alimentação é este ano assinalado em todo o mundo dando especial atenção ao tema “Preço dos alimentos – da crise à estabilidade" proposto pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Conforme consta na publicação “Online24” são objetivos principais relativos à comemoração do Dia Mundial da Alimentação:
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Desenvolver medidas para combater a fome e sensibilizar as pessoas para adoção dos mesmos;
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Sensibilizar as pessoas para necessidade da produção agrícola e
estimular os apoios nacionais, bilaterais, multilaterais e
não-governamentais para este fim;
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Ajudar no desenvolvimento de novas tecnologias em países subdesenvolvidos;
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Sensibilizar todos os países para importância da ajuda nacional e internacional na luta contra a fome, subnutrição e pobreza;
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Estimular participação da população rural, em especial as mulheres e as
camadas sociais mais desfavorecidas, nas decisões e atividades que
influenciam as suas condições de vida.
Estes objetivos vão ao encontro das preocupações manifestadas pela FAO ao propor para este ano o tema já referido.
Nos últimos anos tem-se verificado uma acentuada escalada dos preços dos
bens alimentares, tornando cada vez mais difícil o acesso a estes, por
parte de setores significativos da população mundial, de tal modo que
“de acordo com o Banco Mundial, entre 2010 e 2011, o aumento do preço
dos alimentos deixou quase 70 milhões de pessoas na pobreza extrema em
todo o mundo”.
O problema está a atingir proporções tais que num artigo escrito pela
jornalista Sandra Jódar, do departamento de Análise Económica do banco
espanhol La Caixa, esta se interroga sobre se o mundo poderá aguentar o
aumento incessante do preço da alimentação. Esta jornalista sugere cinco
razões para a escalada do preço dos alimentos, que a seguir
transcrevemos:
“1. Mais procura e menos oferta. A população mundial tem vindo a crescer
exponencialmente e não dá sinais de abrandar. Como há poucas reservas,
menos oferta e cada vez mais bocas para alimentar, o impacto sobre os
preços é imediato.
2. Mais população nos centros urbanos e mais poder de compra em alguns
países pobres. Quem tem um nível de vida alto e vive longe do campo,
exige mais alimentos, o que origina uma ligação direta entre a procura e
os custos. Só para se ter uma ideia, no caso do milho, 58% da
volatilidade dos preços pode ser explicada por esta causa…
3. Energia e biocombustíveis. Tradicionalmente, o preço dos alimentos
acaba por estar diretamente ligado ao da energia, devido ao custos de
produção. Atualmente, a esta questão junta-se o cada vez mais intenso
usos de produtos agrícolas na produção de biocombustíveis. A OCDE estima
que entre 2005 e 2007 metade do aumento da produção de cereais se
destinou aos biocombustíveis.
4. Mercados. O papel da especulação nos mercados de futuros e derivados
agrícolas na subida dos preços é difícil de quantificar, mas há uma
relação negativa entre o preço dos produtos e a atual crise da dívida.
Porquê? Porque pode levar a uma subida do custo dos alimentos e à
acumulação preventiva de stocks.
5. Políticas restritivas. Tanto os países desenvolvidos, como os em vias
de desenvolvimento, atuam sobre os mercados internos perante os picos
de preços. Os primeiros com medidas para proteger os produtores
(aumentando os preços), os segundos apostando na segurança alimentar das
populações (para reduzir os preços). Estas restrições ao comércio
alteram o mercado internacional e impulsionam a volatilidade dos
preços”.
Assiste-se à situação paradoxal de que nunca, como hoje foram produzidos
tantos bens alimentares, e no entanto não se vislumbra uma resolução
para o problema da fome e subnutrição que continuam a grassar em vastas
zonas do mundo.
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